sábado, 14 de janeiro de 2012

Marília, 14 de janeiro de 2011
 
 
Que venha o Novo!!!
 
 
Chegou a hora de mudar de novo....
 
Chegou a hora de partir e começar uma nova fase, um novo ministério, aprender a me adaptar a uma nova rotina, a novas ruas, reaprender a me sentir em casa novamente...  E Londrina-PR será meu novo destino...
 
Uma das coisas que aprendi sobre ADAPTAR-SE é que devemos ter uma atitude quase que constante de otimismo, flexibilidade, contentamento, confiança e perseverança. E todos esses ingredientes já estão na minha mala, pois decidi que não viverei das alegrias da minha vida na África... quero ser feliz do mesmo jeitinho como fui em terras distantes...
 
Quero que o ano de 2012 seja repleto de realizações, de começos e recomeços... Quero que muitas coisas mudem, mas quero que outras tantas permaneçam...
 
Nada mudará se os hábitos forem os mesmos, se os pensamentos empacarem nos mesmos questionamentos, se a mesmice permanecer...
 
Mas sim, eu quero que algumas mesmices se enraízem.... pois certas rotinas e repetições em nosso dia a dia nos fazem ser quem somos... não podemos negar...
 
Quero a mesmice de querer minha família sempre por perto...
 
Quero a mesmice e o esforço para juntar os amigos em rodas comuns...
 
A mesmice de continuar a fazer por quem não merece a minha ação de fazer...
 
A mesmice da esperança em encontrar os olhos que entenderão os meus...
 
A mesmice de me sentir carente do amor, graça e misericórdia de Deus...
 
Mas eu também quero que outras mesmices como o pessimismo, a culpa, o orgulho, a ansiedade, a crítica exacerbada, a chatice, a falta de paciência, a não flexibilidade, o não contentamento, o desamor... quero que essas mesmices sejam reduzidas a pó...
 
Eu quero responder ao chamado Dele com alegria e tendo a mesma paz de sempre a me guiar...
 
E aí vai uma música que traduz bem o que estou sentindo nesses dias...
 
A tua luz acendeu meu coração
E eu pude ver em meio a escuridão
Tua Presença, tua fidelidade, graça e amor
Me levantaram outra vez
Me deram forças e prosseguirei

Irei contigo, onde quer que fores, meu Senhor
O Teu chamado cumprirei na alegria ou na dor
E toda vez que eu chorar
Ou quiser desanimar
O Teu Espírito
Me consolará

Se é na fraqueza do meu ser
Que manifestas teu poder
Eis-me aqui
Dependo de Ti,
Preciso de Ti

Toda Glória, toda Vitória eu sei
Pertence a Ti
Toda honra, todo o louvor entrego a Ti
Porque sem Ti, Não estaria aqui
(Eis-me Aqui – Ana Paula Valadão)
 
 
Feliz 2012 a todos!!!
E todos são mais que bem vindos à minha nova casa em Londrina...
Bjos
Ana
 
 3,2,1...
 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

De volta a África

Johanesburg, 15 de novembro de 2011.
 
São 5 da manhã e o fuso horário me pegou de jeito desta vez...
 
Menos de 4 meses atrás eu estava dando adeus a este continente e cá estou eu outra vez... respirando ar puramente africano com mil pensamentos e sentimentos rondando meu coração....
 
Chegar aqui de novo e encarar o q vem pela frente me fez chorar...
 
Chorar pelo novo e desconhecido q tem se descortinado aos poucos... Mas acima de tudo chorei pelas responsabilidades impostas ao estar numa jornada rumo ao outro... a servir ao outro... a mobilizar pessoas a saírem de suas zonas de conforto e atender o chamado de viver uma nova proposta de vida e ideais...
 
 
Ler suas palavras sempre me emocionam... Ela é somali, ex-muçulmana e hoje atéia. Rompeu com suas crenças e fugiu de um casamento imposto pelo seu pai. Hoje vive nos Estados Unidos lutando contra todas as formas de violência contra a mulher, por direitos e igualdades, pela não opressão religiosa... luta pela liberdade...
 
E o que mais me alegrou é q ela cita a comunidade das igrejas cristãs como uma das instituições que hoje concorrem contra a luta santa dos muçulmanos, tentando ganhar seus corações e mentes para uma nova concepção de vida...
 
“ Tive o prazer de conhecer cristãos cuja concepção de Deus difere muito do que os muçulmanos têm de Alá. São membros de uma cristandade reformada e parcialmente secularizada que seria uma aliada útil na luta contra o fanatismo islâmico. Esse Deus cristão moderno é sinônimo de amor. Seus agentes não pregam o ódio, a intolerância e a discórdia; esse Deus é misericordioso, não almeja o poder temporal e não concorre com a ciência.”
 
E foi aí q me dei conta que estou hoje de volta à África, dentro de treinamentos e debates com um único propósito: continuar lutando pela salvação em Jesus e para uma nova vida para as mulheres muçulmanas pelo mundo a fora...
 
Estou aqui pelas Zainas, pelas Zuras, Sifas, Saras, Ágatas, Fátimas, Manadjumas...  Estou aqui porque acredito que o meu Deus é esse Deus de amor que ama as mulheres muçulmanas. Que tem uma nova opção de vida para elas, que pode proporcionar esperança, paz, qualidade de vida... que pode trazer conforto, afeto e restaurar seus sonhos...
 
É porque Ele me amou primeiro que eu amo essas mulheres q ainda nem conheço... é porque ele me salvou dos meus delitos e pecados, restaurou meus sonhos e me trouxe uma qualidade de vida excelente em sua presença, me dando paz e esperança, q eu continuarei nessa empreitada de passos rumo a proclamação do amor de Jesus a mulheres muçulmanas... seja onde for...
 
 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Minha única razão

Marília, 21 de setembro de 2011.
Colocar as informações de dois anos vividos em África num compêndio de ideias a serem transmitidas para um público que a maioria das vezes eu não possuo intimidade de fato, tem sido um desafio...
Estampar as fotos das minhas amigas, de famílias que considero como minhas, contar suas histórias, rever rostos que são tão familiares, sentir cheiros, gostos, reviver um estado de espírito, humor, lembrar da textura do chão, dos lenços, das crianças me chamando pela rua... Dos desafios de ministério, da luta espiritual sempre presente, dos objetivos, das vontades, das saudades, da expectativa de um retorno, do medo do adeus...
Organizar minhas viagens por entre as igrejas que são minhas parceiras e outras que tem me convidado, tem sido um exercício de fé interessante...
De que eu não paute minha vida num ministério vivido, numa decisão tomada há dois anos atrás, mas sim, pautada na decisão diária de amá-Lo em primeiro lugar e fazer a Sua vontade, descansando na paz que excede e na alegria sempre renovada em Sua presença...
Reviver as fotos, fatos e tudo o que eles englobam, fez com que eu ligasse pra Moçambique tamanha a falta e saudade...
Liguei para minhas amigas: Ágata, Zaína e Zura...  Ficamos eufóricas, nos abastecemos com as últimas novidades, com carinhos, com palavras de saudade, de cumprimentos a todos, e é claro, falei em kimwani, pois elas me alertaram q eu não posso me esquecer a língua!
Viver o aqui depois do vivido lá, tem sido extremamente interessante...  e que as palavras de Paulo sempre ecoem em meu espírito:
“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.”   2 Coríntios 4:5
Que a proclamação do amor de Jesus continue sendo a única razão na minha caminhada cristã e missionária...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A casa da tia Samara

Estrada de Jundiaí rumo a Marília, 19 de agosto de 2011.




Na casa da minha vó eu tinha um lugar preferido: o quarto da minha tia Samara.

Era um quarto com a cara dela, estilo dela, com quadros, discos, dizeres, roupas, tudo, tudo com a cara dela estampada em cada particularidade....

Foi ali que chorei com música orquestrada e clássica, e também onde aprendi a apreciar música popular brasileira: Chico Buarque, Sá e Guarabira, Gilberto Gil, 14 Bis, Flávio Venturini...

Foi ali que incorporei um estilo básico e confortável de se vestir, sentada na sua cama só observando-a se trocar pra ir trabalhar no Sudameris ou ir para a faculdade... Ela secava o cabelo, se maquiava e sempre ficava linda.

Foi abrindo as suas gavetas, mexendo nos seus segredos, provando os seus sapatos, vendo a inventar pratos inusitados na cozinha, ouvindo suas ideias e pensamentos sempre tão interessantes e profundos q fui me tornando a Ana Elisa que sou hoje...

Foi ela que me ensinou que somos lindas mesmo sendo baixinhas e morenas...

Foi com ela que aprendi a pensar no coletivo, a pensar mais no outro, a dar valor a pessoas não pela sua aparência e sim pelo q são....

Foi observando-a a sempre dar carona pra todo mundo no seu corcel azul, a tratar com respeito e carinho àqueles que tinham poucos amigos na igreja, a valorizar a educação infantil, a se dedicar sem ressalvas a diferentes ministérios e atividades...

Foi sendo levada quando criança pra cima e pra baixo em todo lugar q ela ia e ganhando livros de presente que hoje estou mais preparada pra ser tia...   

Minha tia me ensinou a amar o próximo, me ensinou a amar a Jesus, me ensinou a valorizar a família, me ensinou que podemos fazer diferença nesse mundo, que podemos querer mais de nós mesmos... e sempre com uma franqueza e docilidade que são próprios da tia Samara...  

Sua influência foi tamanha que segui seus passos acadêmicos e até hoje fico feliz da vida quando me dizem: “mas é a cara da Samara mesmo!”

Seu quarto hoje tomou proporções maiores e se tornou em uma casa linda, cheia de vida, de saberes sem fim: cristãos, mitológicos, sociológicos, antropológicos, pedagógicos, culinários, musicais... e é ainda na sua casa que vez ou outra me sento pra aprender e absorver suas opiniões e ideias que tanto me ajudam a prosseguir para o alvo...

Obrigada tia Samara... 
Te amo e amo ser sua sobrinha...

Bjos

Ana Elisa

domingo, 14 de agosto de 2011

De volta pra casa


Marília, 14 de agosto de 2011.

 

Aterrisei, cheguei, pisei em solo brasileiro e melhor que isso, em solo mariliense... dei início ao processo de “reentrada” a um novo estilo de vida, nova cultura, novas pessoas para interagir e conviver....voltei pra casa...

Abracei meus familiares e amigos com a sensação que tínhamos nos visto na semana passada. O convívio divertido diário com a minha sobrinha, conversas com meu irmão que me coloca a par do mundo com sua perspectiva tão inteligente e interessante, abraços de pessoas que nunca havia visto antes, mas que tem me abençoado tanto... Tudo, tudo... tem sido tão intenso e tão bom...

Esse processo de reconstrução de mim mesma tem sido interessante e por vezes dolorido, pois redefinir o que vc é aliado ao que vc pensa que é ou ao que vc pensa q se tornou depois de 2 anos de experiência transcultural não é simples.... Vc espera muito de si mesma, os outros esperam muito de vc e a verdade é que vc não sabe como agir nessa roda gigante e profunda de expectativas.

Comer e jogar o resto de comida sem pensar nos meus vizinhos em Mocimboa é impossível, comprar uma roupa nova e não pensar nas minhas amigas moçambicanas é impossível, desfrutar de toda fartura e conforto sem pensar na falta de qualidade de vida que vivíamos em Mocimboa é impossível. E o que fazer? Como devo agir, pensar? Como devo me expressar?

A resposta que encontro nisso tudo é que minha vida em Mocimboa e minha família que deixei por lá devem ser lembrados por mim diariamente em minhas orações, suas dificuldades e luta espiritual devem impulsionar minha fala Brasil afora desafiando outros a se entregar para a obra missionária, é guardar na mente e coração todos os aprendizados e riqueza adquiridos, fazendo com que esse passado tão próximo continue a impulsionar meu coração para a obra missionária em tudo o que eu fizer num futuro que já chegou.... pois meu ministério não acabou, está tendo apenas um novo recomeço...

A Ana que eu fui, que penso ser depois de Mocimboa e a Ana que eu busco ser daqui pra frente deve ter em mente mais uma vez que Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Devo confiar, crer e esperar Nele, tendo a paz como árbitro de todas as decisões e caminhos percorridos, pois: “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti.” Isaías 26:3.

A minha oração é que Deus perdoe os meus pecados, me refaça a cada dia e me molde conforme a vontade Dele para o serviço do Reino e glória do seu nome.

É muito bom estar de volta!!!

Bjos a todos...

Ana



quinta-feira, 21 de julho de 2011

A última imagem de um grande aprendizado...

Pemba, 21 de julho de 2011.

Essa é a nossa última semana como Time Mocimboa da Praia. Nosso termo e comprometimento como Time trabalhando em Mocimboa chegou ao fim...
Mas o que não chegou ao fim é o sentimento de família que tivemos nesses dois anos. Cada membro do nosso Time, composto por 5 diferentes continentes, teve sua parcela importante como membro dessa família, como missionários em Mocimboa, como irmãos compartilhando o pão, as lágrimas, as alegrias, as saudades, as frustrações, as vitórias...

A nossa união, nosso respeito mútuo, nosso sentimento de solidariedade um pelos outros foi coisa rara a ser compartilhada. Não houve um só momento em que a desunião imperou. Não houve problemas a serem resolvidos e coisas a serem tratadas... Deus realmente foi fiel, bom, misericordioso e amoroso em nos proporcionar tamanha afinidade.

Não teríamos sobrevivido sem as piadas e coração de servo do nosso líder Steve, sem o coração sempre aberto a servir e amar da nossa líder Sharon, sem o talento musical do Mark, sem a sabedoria do Patrick, sem as risadas e conselhos da Mama Aby, sem o senso de organização da Jennifer, sem o perfeccionismo da Margaret, sem a criatividade da Bron, sem o senso crítico e sempre pontual do Tim... e ainda, não teríamos sobrevivido sem os sorrisos e todas as alegrias que o Micah, Krista, Josiah, Katie, Aby e James trouxeram para os nossos dias...

Foi uma honra, um privilégio, uma alegria e um aprendizado constante ter compartilhado minha vida e ministério com o Time Mocimboa da Praia. Hoje tenho família e casas sempre abertas para mim em diferentes continentes, e a minha casa, aonde eu estiver nesse mundo, também será a casa deles...
Amo cada um de vcs e louvo a Deus por ter nos unido como família...
Bjos
Ana

Ps: Essa é a nossa última foto como Time, tirada no dia 21 de julho de 2011.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Paz, alegria e esperança: dando tchau pra Mocímboa

Pemba, 18 de julho de 2011.





Sala vazia, quarto vazio, cozinha vazia... A cada palavra minha e da Jen na casa, soava um eco estranho de tristeza e de felicidade... Nas conversas já não sabíamos como nos referir: estamos deixando a “nossa casa” pra voltar pra “nossa casa”...
O chão estava forrado de cestas com presentes: roupas, toalhas, cortinas, utensílios de cozinha, tudo para oferecer as nossos vizinhos. Sem contar os móveis sendo carregados pela rua...

 
Nossas vizinhas e amigas nos ajudaram a limpar a casa antes de entregarmos a chaves: se ajoelharam e lavaram o nosso chão com panos e vassouras, as crianças se juntaram pra tirar as teias de aranha enroscadas no teto, as meninas limpando as nossas janelas...

As crianças choraram e esconderam os rostinhos em suas capulanas, pois é claro, chorar nessa cultura é quase um pecado. A casa se encheu de visitas e pessoas que foram nossa família por 2 anos... E às 7 da manhã Zaína, Zura, Sifa e Sara estavam no portão, esperando pra carregar minhas malas e darmos o nosso último tchau... Uma emoção sem fim... Minha mala está cheia de presentes, de lembranças e o coração cheio de memórias e histórias q marcaram pra sempre minha vida...



Fechar essa etapa, dar um passo a frente rumo ao futuro que se inicia fora da África, dar abraços, beijos, chorar, rir, lembrar de coisas engraçadas, do que melhorou, do que piorou, relembrar dos primeiros dias na terra dos coqueiros e casas de barro, sentindo na boca o gosto dos últimos dias...

Fazer um balanço do que este tempo significou na minha vida pode ser traduzido em três palavras: paz, alegria e esperança.


Paz em saber que eu deixei tudo o que era conhecido rumo ao desconhecido porque a paz que excede todo o entendimento sempre imperou apesar do medo, da ansiedade, do pânico, da distância e das muitas saudades...
Alegria em se descobrir exatamente no centro da vontade de Deus, de amadurecer e sobreviver sem o aconchego de pais amorosos e protetores, e alegria de se sentir em casa, mesmo longe de casa...

E esperança trazida pela certeza de que “Dele, por ele e para Ele são todas as coisas...”. Não algumas coisas, mas todas as coisas. Não algumas áreas do nosso coração e alma, mas todas as áreas, tudo... E não há melhor descanso do que descansar na esperança que a sua graça nos traz.