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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Voltando pra casa

Rumo a Londrina, 30 de julho de 2012.

É hora de chacoalhar a poeira... é hora de voltar pra casa...
É hora de matar tantas saudades...
É hora também de nos encontrarmos conosco mesmos e com todas as mudanças ocorridas em nós nos últimos dias...
Foi impactante e lindo observar cada membro do Time se modificando, desabrochando, reconhecendo a presença de Deus num lugar tão seco e sedento...
Essa observação e convivência enriqueceram e modificaram meu ministério e minha vida pra sempre...
Observar o Pr. Pedro liderando o grupo de homens com versos citados de cabeça, com uma habilidade linda em manusear a Palavra e usando seu casamento como testemunho...
Perceber a liderança doce, firme e singela da Rute ao trabalhar temas tão delicados e íntimos com as mulheres...
Ver a Jacque desenvolvendo seu dom com as crianças, se doando até o ultimo fôlego ao cantar, educar, ensinar, contar histórias e mais histórias àqueles pequeninos...
Ver a Michele colorindo o ambiente com sua presença doce e tranqüila, com um olhar de artista, se doando a todo o tempo àquelas crianças...
Sentir a preocupação e tristeza da Mariluz ao perguntar em todas as refeições se havia comida suficiente para todos ali, e também dar muita risada com sua alegria contagiante... (estou terminantemente proibida de chamá-la de Dona Mariluz... hehehe)
Ver o nascimento de uma missionária, a nossa Bruna, que numa fração de segundos colocou todos os seus estudos em prática, salvando uma criança que nascera no meio do mato, numa noite fria...
Reconhecer no olhar do David uma dor na alma e um amor profundo pelo outro, um encontro com Deus nunca antes experimentado, um dom de servir a todos e a todo o tempo com um sorriso sempre no rosto...
Me compadecer das lágrimas do rosto do Romeu que rolavam sem parar... e vê-lo desenvolver seus dotes preparando balões para as crianças, cozinhando para o time e ainda aconselhando homens sobre o matrimônio...
Ao ver o Adriano auxiliando no ministério com os homens e se aventurando a dirigir em estradas nunca antes percorridas...
Ver a euforia da Ana querendo se inserir na cultura de uma forma contagiante e particular, tirando todas as fotos possíveis e impossíveis (e obrigada por todas as fotos tiradas... amei...)
A minha oração meus queridos é que todas as transformações ocorridas nesta viagem possam continuar renascendo no coração de vcs todos os dias...
Que tenhamos sabedoria emocional e espiritual para voltar à rotina do nosso dia a dia com a aptidão de continuar vivendo a loucura do evangelho e entrega pelo outro em terras brasileiras...
Ao olhar pra trás meu coração se enche de alegria, de paz, de contentamento... Se enche de saudades e agradecimento ao Deus que esteve conosco em todo o tempo... pois tudo o q aconteceu entre nós e através de nós foi obra de sua bondade e para louvor de Seu nome...
Não há nada melhor que se entregar totalmente a esse Deus de amor, que nos ama apesar de nós mesmos, e ainda nos usa apesar de todas as nossas limitações...
Alegria em ser Dele e por Ele viver os meus dias... e muiitta alegria por ter compartilhado alguns deles com vcs...
Bjos com saudades de todos...
Ana

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Rumo a Àfrica

Olá amados e amadas,


Escrevo este post com as minhas malas e listas quase prontas para voltar ao campo missionário. Sim!!!! Eu estou voltando para a África!!! Embarcarei no dia 06 de julho de 2012!!

Uma das maiores carências da África nos dias de hoje, além da fome, AIDS, violência, intolerância religiosa, mortalidade infantil, etc, é o fortalecimento e amadurecimento de lideranças cristãs locais em um evangelho embasado exclusivamente na pessoa de Jesus Cristo, promovendo uma Igreja Cristocêntrica e que expanda o amor de Jesus dentro do seu próprio continente. E esta necessidade tem sido sentida de forma latente, na cidade de Espungabera – Moçambique.

Com um ministério frutífero que tem crescido ao logo de mais de 10 anos, a Igreja em Espungabera que atende a mais de 12 comunidades circunvizinhas, se vê em meio à carência de lideranças cristãs locais que estejam preparadas para romper totalmente com padrões culturais embasados no pecado, como por exemplo, a poligamia, venda de suas filhas para casamentos prematuros, uso de curandeiros e feiticeiros, etc.

Como coordenadora do ministério de curto prazo da MIAF, fui convidada a acompanhar um grupo de 10 voluntários a uma viagem até esta região. Nosso foco será fortalecer lideranças locais com atividades de discipulado, reciclagem de professores de escola dominical, contação de histórias infantis, palestras e seminários sobre casamento, fidelidade e saúde conjugal, higiene pessoal e saúde em geral, auxílio em atividades escolares, entre outros. O grupo visitará também o ministério da nossa querida missionária Delci, realizando todas estas atividades também na Casa das Formigas. Retornaremos ao Brasil no fim de julho de 2012.

Assim queridos, meu ministério sairá por alguns dias do âmbito do escritório da MIAF em Londrina, das papeladas, negociações, emails, projetos e formulários, para adentrar o continente africano novamente, não só com as minhas orações, mas com meus pés e mãos.
E para a minha alegria, neste tempo também visitarei a vila em que morei por dois anos, Mocimboa da Praia, onde desenvolverei algumas atividades de reciclagem com as professoras da Escola Tumaini, darei assistência à Biblioteca Tumaini, visitarei as igrejas locais e todas as famílias que fizeram parte do meu ministério de evangelização entre o povo mwani (muçulmanos).

Vocês não sabem como estou feliz em poder andar por aquelas ruas novamente, visitar minhas vizinhas e amigas, e gastar tempo com uma imensa família que deixei por aquelas terras. Essa viagem já tem sido um presente de Deus. Pois além de abençoarmos vidas brasileiras inserindo esses voluntários num trabalho missionário que mudará as suas vidas pra sempre, serei ainda mais abençoada por estar de volta ao continente que se Deus quiser, será parte da minha vida pra sempre.

Assim, termino pedindo que vocês me acompanhem nesta jornada com suas orações e súplicas diante do Pai. Que Deus possa abençoar e alcançar vidas através desta viagem, que haja libertação e salvação, e também, que seu Espírito vá a nossa frente nos guiando, protegendo e dando discernimento para sermos sal e luz em meio a tantas trevas.

Se vocês quiserem abençoar este projeto e a minha viagem, por favor, entrem em contato comigo, ou acessem o site da MIAF: http://www.miaf.org.br/contribuindo.asp especificando meu nome no cadastro solicitado.

Mais uma vez obrigada por todas as orações, contribuições e carinho ao meu ministério.

E gostaria de agradecer especialmente a 1 Igreja Presbiteriana Independente de Marília e a 1 Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, por estarem ajudando significativamente para que eu consiga realizar esta viagem.!!! Muito obrigada queridos!!!

Deus os abençoe hoje e sempre!!

Até daqui uns dias com mais notícias sobre a África!!




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Paz, alegria e esperança: dando tchau pra Mocímboa

Pemba, 18 de julho de 2011.





Sala vazia, quarto vazio, cozinha vazia... A cada palavra minha e da Jen na casa, soava um eco estranho de tristeza e de felicidade... Nas conversas já não sabíamos como nos referir: estamos deixando a “nossa casa” pra voltar pra “nossa casa”...
O chão estava forrado de cestas com presentes: roupas, toalhas, cortinas, utensílios de cozinha, tudo para oferecer as nossos vizinhos. Sem contar os móveis sendo carregados pela rua...

 
Nossas vizinhas e amigas nos ajudaram a limpar a casa antes de entregarmos a chaves: se ajoelharam e lavaram o nosso chão com panos e vassouras, as crianças se juntaram pra tirar as teias de aranha enroscadas no teto, as meninas limpando as nossas janelas...

As crianças choraram e esconderam os rostinhos em suas capulanas, pois é claro, chorar nessa cultura é quase um pecado. A casa se encheu de visitas e pessoas que foram nossa família por 2 anos... E às 7 da manhã Zaína, Zura, Sifa e Sara estavam no portão, esperando pra carregar minhas malas e darmos o nosso último tchau... Uma emoção sem fim... Minha mala está cheia de presentes, de lembranças e o coração cheio de memórias e histórias q marcaram pra sempre minha vida...



Fechar essa etapa, dar um passo a frente rumo ao futuro que se inicia fora da África, dar abraços, beijos, chorar, rir, lembrar de coisas engraçadas, do que melhorou, do que piorou, relembrar dos primeiros dias na terra dos coqueiros e casas de barro, sentindo na boca o gosto dos últimos dias...

Fazer um balanço do que este tempo significou na minha vida pode ser traduzido em três palavras: paz, alegria e esperança.


Paz em saber que eu deixei tudo o que era conhecido rumo ao desconhecido porque a paz que excede todo o entendimento sempre imperou apesar do medo, da ansiedade, do pânico, da distância e das muitas saudades...
Alegria em se descobrir exatamente no centro da vontade de Deus, de amadurecer e sobreviver sem o aconchego de pais amorosos e protetores, e alegria de se sentir em casa, mesmo longe de casa...

E esperança trazida pela certeza de que “Dele, por ele e para Ele são todas as coisas...”. Não algumas coisas, mas todas as coisas. Não algumas áreas do nosso coração e alma, mas todas as áreas, tudo... E não há melhor descanso do que descansar na esperança que a sua graça nos traz.


sábado, 21 de maio de 2011

Educação


Mocimboa da Praia, 21 de maio de 2011.


Os dias do ano de 2011 têm sido marcados pra mim com o tema EDUCAÇÃO...

Tenho refletido e me surpreendido como este tema, aliado ao evangelho de paz e libertação de Jesus, pode surtir efeitos maravilhosos na vida das pessoas... Tenho desafiado conceitos errôneos de que algumas pessoas não podem aprender. Sim, todos podem aprender, quando são ensinados com respeito, préstimo e amor!!!

Desenvolvi com a ajuda de alguns colegas de Time um manual chamado “Vivendo uma Vida Melhor”, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das mulheres moçambicanas, através da informação de temas como a prevenção à violência, saúde, nutrição, educação de filhos, educação escolar... Muitas reuniões e seminários têm sido desenvolvidos usando este material...
Já capacitei mulheres da comunidade, ativistas de um programa de prevenção HIV/SIDA do Hospital, jovens do programa “Desafio Jovens” de Moçambique, e é claro, as mulheres das igrejas de Mocimboa...

Por mais que eu tente expressar a minha alegria e contentamento, e mais que isso, agradecimento, eu não conseguiria.... Sou grata a Deus por usar meus dons, personalidade, paixão e conhecimentos adquiridos no Brasil aqui na África...

Em alguns encontros me vi rodeada de jovens e mulheres discutindo conceitos de gênero, violência, educação e através desses conceitos, descobrindo que é possível sonhar e desejar com uma vida melhor e de melhor qualidade.

Já em outros encontros como o de hoje, onde ensinei mulheres com um menor nível educacional e de idades mais avançadas, a conversa foi outra.... Me dei conta de como é complexo levantar debates sobre casamento, fidelidade, violências diversas, quando estes estão arraigados a costumes e tradições culturais tão diversos da minha.

Fiquei sem chão quando uma das mulheres mais velhas sentadas no meu quintal, disse que eu estava ensinando tudo isso pq era estrangeira e pq não era casada com um homem moçambicano. Minha resposta foi que eu não sabia mesmo, mas que toda mulher deve aprender a conhecer e reconhecer o seu verdadeiro valor seja em que sociedade for.

Que sim, casamentos e relacionamentos inseridos em desrespeito e violências, podem mudar quando uma das partes começa a refletir sobre o problema e buscar soluções para eles. Que os homens continuarão tendo mil e uma namoradas fora do casamento enquanto as mulheres continuarem a aceitar ninharias por favores sexuais...

Depois do encontro foi impossível não conter as lágrimas por ver que essas mulheres que eu tanto aprendi a amar, estão com suas mentes e corações imersas em tristeza, traições, ciúmes, invejas, violências de todo o tipo, e o que é pior, numa inércia indescritível. Só pude orar e pedir a Deus que as sementes de esperança plantadas nessa manhã, possam um dia frutificar.

Assim, Deus tem me surpreendido a cada dia, seja nos dias alegres, seja nos tristes, pois em todo o momento Ele tem se revelado um Deus de amor no sentido de me usar e me capacitar para fazer o que gosto, o que amo e o que sinto paixão, e converter tudo isso pra louvor e glória do seu nome...


Tão diferentes, e tão iguais nas angústias, sonhos, anseios...














sexta-feira, 16 de abril de 2010

Meu aniversário moçambicano

Mocimboa da Praia, 15 de abril de 2010.
 
 
Desde que cheguei aqui em Mocimboa da Praia, há quase 9 meses atrás, comecei a preparar minha festa de aniversário em minha mente, mas como os planos mudaram conhecendo mais a cultura e os costumes locais!!
Semanas atrás fiz a lista de convidados (mais ou menos 50 pessoas entre adultos e crianças) e o cardápio:
 
  • 18 kilos de arroz
  • 4 kilos de feijão
  • 5 galinhas
  • 4 kilos de batata
  • 8 cocos
  • 0,5 kilo de cebola
  • 2 cabeças de alho
  • 1,5 L de óleo
  • 1,5 kilo de tomate
  • 2 latas de massa de tomate
  • 1 pacote de curry
  • 4 pacotes de suco
  • 7 galões de água
  • Lenha
 
Para receber bem seus convidados em Mocimboa, vc deve servir arroz e “caríli” (nome usado para o molho q acompanha o arroz), sendo esse “molho” feijão, galinha ensopada com tomate e batatas ou cabrito ao molho de tomate e batatas. Escolhi galinha e feijão!
Tudo começou às 6 da manhã com o meu guarda Abdul chegando para matar as galinhas, pois para os mulçulmanos há uma maneira especial de se matar animais, e devem ser eles a matá-los, caso contrário, não comem a comida servida. Ele colocou sua boina islamica, lavou suas mãos e pés, e começou a rezar em árabe: “Eu juro em nome de Ala. Estou aqui a matar esses animais em nome de Ala”.
Logo em seguida o cozinheiro “Smile”, como o chamamos por aqui, começou a ascender o fogo. Assim, meu quintal começou a se transformar em salão de festa, cozinha, tudo!!!! Foi um vai e vem de galões de água (pois há quase um mês estamos sem água na minha casa e dependemos agora dos poços locais), de ralar cocos, de varrer o chão, de arrumar as esteiras, etc.
Meu amigo Momade, de 9 anos, e outras crianças apareceram para me ajudar a carregar panelas, a varrer a frente da minha casa....
Minha família aqui: Sara, Sifa, Zura e Zaína, foram as primeiras a chegar e as últimas a sair... e Sara como a mais velha, me ajudando a coordenar tudo... me dizendo:  “senta pra comer!” (como me vi nela! rss...)
Minha família de “muzungos” (palavra em kimwani para estrangeiro) também estava presente. Sharon, Margareth e Bron (algumas das mulheres do nosso Time), fizeram bolos para mim e eu fiz mais três. Assim, no total tínhamos 6 bolos para servir, o que foi recebido com muita alegria, pois eles só comem bolo no “Idi” (RAMadã Muçulmano) e em casamentos.
Agradeci a todos pela presença, disse q os amava e q eles eram minha família aqui e finalizei com: “Karibu Tena” (Sejam bem-vindos novamente!). Patrick fez uma oração em kimwani, abençoando a minha vida, os convidados e a comida servida.
 
Na minha festa de 29 anos não encomendei salgadinhos, não tive bolo recheado e confeitado, não tive minha família de sangue e amigos de longa data presentes, não usei calça jeans e sandália de salto, mas tive um aniversário espetacular...
Tudo isso me fez reconhecer a realidade em que me encontro hoje... me fez lembrar da comodidade antes vivida: encomendar o bolo por telefone, de ir ao supermercado de carro e comprar os produtos e ingredientes para a festa, ao invés de comprar galinhas vivas, matá-las, depená-las, ascender o fogo à lenha, buscar galões de água, usar capulanas, lenço e chinelos..
Mas só posso dizer que amei!!! Curti cada segundo e me senti realizada em proporcionar isso para as pessoas que estou aprendendo a amar dia após dia....
Deus foi maravilhoso e fiel em prover comida suficiente, em me dar de presente um dia de sol em meio a uma estação de chuvas e de estar me dando mais um ano de vida...

Vejam as fotos desse aniversário aqui no meu álbum.
 
Assim, obrigada Jesus!! Obrigada por tudo, tudo!
Bjos a todos!!!
Ana 


 
 
Ps: Hj minha vó Ester estaria completando mais um ano de vida... Sua vida de oração e devoção à Deus abençoaram tremendamente toda a família.. e tenho certeza q é resposta às suas orações eu estar aqui hoje... Ela é um exemplo de mulher e cristã pra mim... Sinto muitas saudades.... 
 

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Nankusindjá uni"

Mocimboa da Praia, 03 de outubro de 2009.


Como de costume o dia começou cedo...
Eu e Jennifer acordamos às 05:30 da manhã para acompanhar nossa vizinha Fátima e sua filha Ntôto na “Massamba” – nome designado ao lugar das plantações, ou para o tempo de seca, que é o qual estamos passando, para buscar lenha.

Andamos até a beira da praia e encontramos um barco nos esperando. Tivemos que arregaçar nossas capulanas, tirar nossas sandálias e andar mar adentro até chegarmos ao nosso meio de transporte.

O barco estava cheio de homens, mulheres e algumas crianças, e a travessia para a ilha de “Mocimboa Velha” (é assim que chamam esta ilha) levou uns 15 minutos. Um senhor ficou sabendo que queríamos conhecer o local e veio gentilmente ser nosso guia turístico. Falou com orgulho da terra a qual pertence a sua plantação e no final do nosso passeio fez questão que eu tirasse uma foto dele e de sua esposa. 
Ajudamos a cortar lenha – tarefa muito penosa por sinal, pois, por mais que eu tenha tentado, aquele pedaço de madeira não se partiu por nada nesse mundo. Logo veio Fátima e em menos de 10 machadadas aquele pedaço de madeira se partiu com facilidade.

Semana passada tivemos um curso lingüístico (LAMP – Language Acquisition Made Practical). Foi um tempo muito produtivo e resumindo: aprenderemos mais facilmente a língua quanto mais nos embrenharmos no dia a dia, nos afazeres e na cultural local. Temos que aprender uma frase complexa por dia e falar esta frase para pessoas desconhecidas na vizinhança, assim, sem que ao menos percebamos, começamos a desenrolar a língua e falar kmwani. As vezes é bem difícil, pois por mais que repitamos a frase 20 vezes, esquecemos a estrutura da frase ou a fonética da palavra....
Assim, enquanto cortava aquele pedaço de lenha ia repetindo: “Nankusindjá uni” – “Estou a cortar lenha” e aprendi outras palavras como barco: ingaláu, vela: tanga e praia: muáni. 

Acabando de cortar lenha, Fátima nos deu nossos respectivos pedaços de madeira para ajudarmos a carregar. Tirei minha capulana, atei na minha cabeça e começamos a trajetória de volta. Entramos no mar segurando nossas sandálias, nosso pedaço de madeira e, é claro, as nossas saias... risos... foi ótimo!!!

Só consigo pensar o quanto é dificultoso para as pessoas terem fogo para cozinhar, água para beber... tudo tem q  ser buscado, carregado e este processo leva muito mais tempo do que nossa mente capitalista e imediatista pode suportar. Não que as pessoas da cidade não trabalhem duro para aquisição de eletricidade, comida e água, mas a ótica de tempo, espaço e trabalho é muito diferente numa vila rural.

Na quinta-feira, dia 01 de setembro, fui no “Embebébe”, local onde as mulheres lavam roupas, mas essa atividade veio de surpresa e não levei minha câmera fotográfica comigo. Uma pena!!! Andei por 40 minutos com minha amiga Ágata, passamos por um mangue e chegamos num descampado onde se encontra duas pequenas poças de água doce. Uma das poças é usada para lavar roupa e a outra para beber: a água é cinza e opaca, mas ainda sim, é doce. Durante o caminho aprendi: “Nankulude Kukufula Embebébe” (Estou vindo de lavar roupa no Embebébe). Não sei se meu português está correto, mas tenho aprendido kmwani, falado português com alguns moçambicanos e vivido meu dia a dia com o inglês... tem hora que minha cabeça dá um pane... rss... Estou acostumando a usar blusa vermelha, com capulana de flores roxas e ficar com o pé preto... rsss... isso pra quem realmente me conhece é um progresso e tanto!!! rss... A beleza tem outros valores e modos de se apresentar e tem sido ótimo entender e viver esses diferentes tipos de belezas...

É isso gente... minha semana foi cheia de experiências novas e únicas, e isso é benção de Deus, pois a Ele tenho entregado os meus dias aqui em Mocimboa...

Ahhh... e amanhã levarei minha primeira visita na Igreja!!! Ela não é mwani, só fala português e seu nome é Ângela. Comecei a orar com as minhas vizinhas... já oramos três vezes juntas, glórias a Deus!!!

Saudades de todos!!! 
Beijos 
Ana



 

 

 

 


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Minha nova vida em Mocímboa da Praia



frente da nossa casa



parte da trás



novo guarda-roupa



Um pouco de proteção contra os bichos



eu e meu amigo lap top debaixo do mosquiteiro gigante



Nosso team aqui de Mocímboa. Orem por nós!